Era uma vez um Corcel anos 70, um toca fitas e um Walkman
Meu pai tinha um Corcel branco e bem velho (ligeiramente diferente do dessa foto meramente ilustrativa). O nome do Corcel era Poisé. Pois é, eu adorava esse nome rsrs. E o Corcel do meu pai foi o primeiro objeto que me introduziu uma tecnologia nova, que já não era tão nova assim: o toca fitas. Isso porque o Corcel do meu pai tocava fitas K7. Imagino que pro meu pai, que contemplou a era dos discos, tocar músicas no carro talvez fosse algo completamente diferente. Mas para mim era uma tremenda novidade quando eu tinha lá pelos meus 5 anos. Eu simplesmente amava ficar no carro escutando as fitas de MPB do meu pai. Foi um marco na minha infância.
Mas tinha um detalhe. Lá por esse período, a K7 já estava a ponto de ser ultrapassada. Eu vim de uma família humilde, mas um tio meu, já falecido, na época havia conseguido conquistar mais que todos os outros irmãos, inclusive o meu pai. Lembro-me de um almoço de família, quando eu tinha lá pelos meus 7 ou 8 anos, em que meu primo, alguns meses mais velho que eu, chegou escutando música em um Walkman (era como chamávamos o tocador de CD portátil). Ele parecia super descolado, tanto que nenhum dos outros primos se aproximou muito dele e das irmãs dele. Era outro universo, tecnológico e social. Não nos misturávamos muito.
Eu nunca cheguei a ter um Walkman, mas mais ou menos na mesma época meus pais compraram o primeiro rádio que tocava fitas k7 e CD. Um daqueles charmosos redondinhos prateados com uma alcinha. Foi um rádio que embalou muito a minha vida, muito embora o compartimento toca fitas tenha sido deixado de usar quando eu tinha lá pelos meus 12 anos. E esse foi o último aparelho de som que tivemos, e que durou até uns dois anos atrás.



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